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O Pai da Imunologia – A história da primeira vacina

Jenner

Enquanto a varíola castigava principalmente as crianças, Jenner buscava a solução para a vacina em um vírus semelhante que ocorria em vacas — Foto: Wellcome Collection. Attribution 4.0 International (CC BY 4.0)

O primeiro indício de vacina surgiu na China, no século X, contra a varíola, doença febril que produzia pústulas, deixando cicatrizes, e não tinha cura. Mas o método usado era bem diferente do que estamos acostumados: os cientistas da época transformavam cascas de feridas de varíola em um pó contendo o vírus já inativo, e espalhavam nos ferimentos das pessoas já contaminadas. Esse método ficou conhecido como variolação. Alguns séculos depois, em 1796, com as pesquisas de Edward Jenner, as vacinas passaram a ser semelhantes às atuais. Ao perceber que moradores de áreas rurais que haviam contraído cowpox, uma doença semelhante à varíola, não ficavam doentes com a varíola humana, Jenner fez um experimento e aplicou em um menino chamado James Phipps de oito anos, uma pequena dose de varíola bovina. O garoto ficou doente, mas manifestou uma forma branda da doença. Após sua recuperação, Jenner introduziu na criança o vírus da doença humana em sua forma mais fatal, retirado de uma ordenhadeira. O menino, já imune, não desenvolveu a varíola. A palavra “vacina” vem de “vacca”, justamente pelo contexto histórico.

Raciocínio sagaz e muita sorte

Vacinação

Edward Jenner era um médico rural que cuidava de populações do campo e descobriu a cura para uma das maiores doenças da história e os caminhos para a criação da vacina

A descoberta de Jenner ocorreu em uma época obscura para a ciência, quando doenças infecciosas eram justificadas como fruto de forças negativas. “Ele era um cara à frente do tempo. Estava a 100 anos antes da descoberta dos vírus, não tinha noções de imunologia ou dos postulados de Koch, que mostravam como doenças infectocontagiosas eram transmitidas...”. O médico inglês teve a percepção, inclusive, de deixar o vírus bovino agindo um tempo no corpo do garoto. Clarissa Damaso (assessora da OMS) explica, ele imaginou que o organismo teria que formular uma resposta e se tivesse inoculado a varíola no dia seguinte ao vírus vacinal, o menino teria desenvolvido a doença. “Ele esperou seis semanas que é realmente o prazo aproximado que a gente espera. Ele foi fantástico no raciocínio e na elaboração de conclusões”, explica ela.